Ceará confirma duas primeiras mortes por febre chikungunya.

Com dois óbitos confirmados em Fortaleza, o Ceará registrou as primeiras mortes por febre chikungunya, segundo o último boletim da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), divulgado nesta sexta-feira (17).  As vítimas foram um homem de 88 anos e uma mulher de 89 anos, que, conforme a secretaria, já apresentavam outras doenças. Em 15 dias, os casos confirmados no Ceará este ano dobraram, passando de 2.234 para 4.821. A capital concentra 73% das confirmações, com 3.535 casos.
Onze óbitos permanecem em investigação no estado, nas cidades de Fortaleza (5), Quixadá (2), Crateús (1), Quixelô (1), Russas (1) e São Gonçalo do Amarante (1). Destes, cinco são do sexo masculino e seis, do sexo feminino, com idades entre 27 dias e 81 anos.
O infectologista e professor de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Roberto da Justa, relata que a maioria dos casos são de expressão clínica, mas eventualmente há casos de maior gravidade. "Principalmente entre os mais vulneráveis, pessoas com extremos de idade - crianças e idosos - pessoas com outras doenças, como diabetes", descreve. Nessas populações, segundo o especialista, a febre chikungunya pode se apresentar de forma mais grave e até evoluir a óbito.
"Esses primeiros casos de mortes em idosos no Ceará acabam reproduzindo estatísticas que foram observadas em epidemias da doença em outros países", reforça o médico. Ele relata que o número de casos tem crescido de forma significativa nas últimas semanas, situação perceptível nas emergências e nos consultórios. "A doença tem se comportado como na dengue, atingindo todas as camadas", diz.
A maioria dos casos confirmados de pessoas com chikungunya foi em adultos, na faixa etária de 41 a 50 anos. Foram registrados, porém, doentes entre idades compreendidas de 0 a 95 anos. Confirmaram-se casos em 40 crianças de até um ano de vida. O sexo feminino foi predominante em todas as faixas etárias, à exceção dos casos com idades entre 5 e 9 anos e mais de 80 anos.
Assim como foi observado no Ceará, os casos confirmados também cresceram significativamente em Fortaleza em duas semanas. Na capital, o número passou de 1.776 para 3.535, que representa um aumento de 99%.
INCIDÊNCIA NOS MUNICÍPIOS
Em todo o estado, dos 151 municípios com casos suspeitos notificados, 60 confirmaram casos de febre chikungunya, com destaque para Hidrolândia e Campos Sales (incidência de casos suspeitos acima de 2 mil casos por 100 mil habitantes), além de Nova Russas, Crateús, Pentecoste, Quixadá, São Luís do Curu e Varjota (incidência acima de 1 mil casos por 100 mil habitantes).
Os municípios de Campos Sales, Assaré e Nova Russas apresentaram as maiores incidência de casos confirmados no estado, com 1.268, 601 e 364 casos por 100 mil habitantes, respectivamente.
COMO AS PESSOAS PEGAM O VÍRUS?
Por ser transmitido pelo mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, e também pelo mosquito Aedes albopictus, a infecção pelo chikungunya segue os mesmos padrões sazonais da dengue, de acordo com o infectologista Pedro Tauil, do Comitê de Doenças Emergentes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
QUAIS SÃO OS SINTOMAS?
Entre quatro e oito dias após a picada do mosquito infectado, o paciente apresenta febre repentina acompanhada de dores nas articulações. Outros sintomas, como dor de cabeça, dor muscular, náusea e manchas avermelhadas na pele, fazem com que o quadro seja parecido com o da dengue. A principal diferença são as intensas dores articulares.
TEM TRATAMENTO?
Não há um tratamento capaz de curar a infecção, nem vacinas voltadas para preveni-la. O tratamento é paliativo, com uso de antipiréticos e analgésicos para aliviar os sintomas. Se as dores articulares permanecerem por muito tempo e forem dolorosas demais, uma opção terapêutica é o uso de corticoides.
COMO SE PREVENIR?
Sobre a prevenção, valem as mesmas regras aplicadas à dengue: ela é feita por meio do controle dos mosquitos que transmitem o vírus. Portanto, evitar água parada, que os insetos usam para se reproduzir, é a principal medida. Em casos específicos de surtos, o uso de inseticidas e telas protetoras nas janelas das casas também pode ser aconselhado.
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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