Cunha Ameaça: 'Hoje sou eu; amanhã vocês'

Dizendo-se vítima de uma injustiça num julgamento político, o ex-presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez um alerta aos deputados presentes à sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ontem.
"Hoje, sou eu. É o efeito Orloff: vocês, amanhã", afirmou, fazendo referência a uma propaganda de vodka, para dizer que sua condenação política abrirá um precedente perigoso.
A CCJ reuniu-se ontem para dar continuidade ao julgamento dos recursos apresentados por Cunha contra a decisão do Conselho de Ética da Câmara, que aprovou o pedido de cassação do mandato do peemedebista, sob justificativa de que ele mentiu à CPI da Petrobras.
O relator dos recursos da defesa, deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF), aliado de Eduardo Cunha, acolheu apenas um dos 16 questionamentos apresentados. Em seu parecer, porém, ele pede que o processo retorne ao Conselho de Ética, principal pleito do ex-presidente.
Os integrantes da CCJ votarão contra ou a favor do relatório de Fonseca.
Após a fala de Cunha, a CCJ encerrou os trabalhos na noite de ontem, já que não pode funcionar enquanto houver sessão no plenário da Casa. A comissão volta a se reunir hoje de manhã para discutir e em seguida votar o relatório de Fonseca.
Apesar dos esforços de adversários para votar ainda nesse primeiro semestre a cassação do mandato de Cunha, o caso só deve ter um desfecho em agosto.
Cunha voltou à Casa cinco dias após ter renunciado à presidência. A sessão começou com integrantes da ala anti-Cunha questionando o presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR), afinado com o ex-presidente, que adiou de segunda (11) para ontem a sessão do colegiado. A mudança da data praticamente enterrou a possibilidade de o pedido de cassação do peemedebista ser votado no plenário antes do recesso, que começa na sexta-feira (15). Cunha e seu advogado, Eduardo Nobre, falaram por aproximadamente duas horas, mesmo tempo concedido ao relator.
ACUSAÇÕES
O deputado afastado não poupou acusações ao presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), e disse que 90% dos deputados não formarão opinião a partir dos fatos apurados, mas, sim, influenciados por motivação política. "Esse processo é a única oportunidade de ele aparecer na mídia", afirmou Cunha.
Ele argumentou que o fato de ser réu e investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de recebimento de propina no petrolão não deve servir para que seus colegas votem pela cassação. "Meus adversários não vão ouvir nenhum dos meus argumentos, esquecendo-se que amanhã pode ser qualquer um", afirmou Cunha.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o fato de Cunha ter renunciado à presidência da Câmara "não altera em nada sua situação jurídica", portanto, seu afastamento do mandato.
CLÁUDIA CRUZ
Os advogados da mulher do deputado Eduardo Cunha, Cláudia Cordeiro Cruz, apresentaram à Justiça Federal do Paraná documentos que classificam Cunha como "um investidor com profundo conhecimento do mercado", o que justificaria seu patrimônio milionário.
Segundo cartas anexadas à defesa, o deputado do PMDB tem um patrimônio aproximado de US$ 16 milhões, amealhado "ao longo de 20 anos de investimentos" e de compra e venda de imóveis na Barra da Tijuca.

Os advogados de Cláudia Cruz pediram a convocação de 26 testemunhas de defesa para Cláudia Cruz -entre elas, um ex-ministro do Supremo, sete deputados federais e o atual ministro dos Transportes.
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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