Estado tem 5 mil casos de violência doméstica só em 2016.

A violência doméstica no Ceará persiste. Só em 2016, conforme o boletim de notificação compulsória da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), divulgado terça-feira (5), 5.012 pessoas foram vítimas de violência doméstica. Este é o primeiro ano que a Pasta realiza esse levantamento. Fortaleza se apresenta como o Município com o maior número de registros. Ao todo, neste ano, houve 637 atendimentos a vítimas por violência doméstica na Capital. Em seguida está Sobral, com 381 ocorrências, e Juazeiro do Norte, com 55.
Na capital cearense, os casos nos são encaminhados à Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza (DDM-Fort). Segundo a delegada adjunta Erika Cecília Ferreura Ramirez Moura, por dia, são registradas, aproximadamente 40 Boletins de Ocorrência. Apesar do número já se apresentar como alto, a delegada ressalta que há muitos casos subnotificados. Para Erika, a violência doméstica atinge diversas classes sociais e faixas etárias: "A violência doméstica pega vários setores, então, a gente vê que esse número tem épocas que aumenta e épocas que diminui, mas é uma média constante. As mulheres, hoje em dia, estão mais encorajadas para denunciar", avaliou.
Prestes a completar 10 anos, a Lei Maria da Penha, decretada em agosto de 2006, protege a mulher contra cinco tipos de violência: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
"A Lei Maria da Penha empoderou as mulheres. A mulher pode realizar a queixa em qualquer distrito. A partir disso é transferida para a nossa delegacia especializada. Aqui temos o trabalho de acolhimento. Em tese, dia de segunda-feira é o dia que tem mais boletim de ocorrência por algo que aconteceu no fim de semana. Às pessoas menos favorecidas economicamente têm até mais coragem de denunciar porque elas não têm vergonha de se expor", lembra Erika.
Aos 34 anos e mãe de três filhos, Carla - nome fictício - conta que suportou as agressões do esposo até o momento em que ele começou a agredir um dos filhos, já adolescente. "A gente sempre brigava. Quando era comigo, ele dava e eu descontava. Na primeira vez, eu retirei a queixa. Ele voltou bom, prometendo as coisas. Da segunda vez, ele ficou preso três meses e a Justiça soltou. Aí ele me procurou de novo e eu sempre dizia que ia chamar a Polícia pra ele. Ele se viciou muito no pó e queria que eu desse dinheiro. Aí meu filho, por ser um rapaz, se metia. Eu mandava ele embora, mas ele não ia", contou.
APOIO
No segundo semestre deste ano será inaugurada em Fortaleza a Casa da Mulher Brasileira. Em construção no Bairro Couto Fernandes, próximo ao Hospital da Mulher. O espaço, previsto para ser entregue em agosto, visa prestar um atendimento humanizado às mulheres e integrar serviços especializados para os mais diversos tipos de violência contra as mulheres.

A responsável pelo Eixo de Prevenção e Enfrentamento a Violência Contra as Mulheres da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas Para as Mulheres do Ceará, Rose Marques, conta que um só local reunirá a DDM de Fortaleza, Poder Judiciário, Defensoria Pública, Ministério Público, Centro de Referência e uma Casa de Passagem.
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.