GOLPE: Golpistas pedem dinheiro a familiares de pacientes na UTI.

Na esperança de ver o irmão sair do coma e deixar o leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a dona de casa Rafaela Alves Ferreira de Lima, 27, por pouco não cedeu à angústia que a tornaria vítima do crime de estelionato mais conhecido como Golpe da UTI, aplicado em pelos menos 11 pessoas, somente este ano, no Ceará. O levantamento é da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF).
Segundo o titular da DDF, delegado Jaime de Paula, os golpistas entram em contato com parentes de pessoas internadas em situação grave. Por telefone, solicitam depósitos em dinheiro para a realização de supostos exames de urgência, que não seriam cobertos por planos ou pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foi assim que Rafaela se tornou alvo dos estelionatários, no dia 21 de julho.
A jovem recebeu uma ligação suspeita enquanto aguardava notícias do segurança Eduardo Oliveira, 32, que passa por tratamento no Hospital Antônio Prudente desde 2 de julho, quando sofreu acidente de motocicleta. “Disseram que ele tinha piorado. Uma bactéria teria se espalhado pelos órgãos e precisavam de tomografias para ver a profundidade da infecção. Que ele faleceria se não fossem feitas logo”, relembra. O valor solicitado foi de R$ 2.500.
INFORMAÇÕES
Os criminosos sabiam de detalhes sobre o paciente, como número do leito e sobre a infecção por bactéria adquirida na cirurgia para corrigir uma hemorragia interna, e insistiram para que ela não fosse ao hospital. Rafaela, contudo, falou com o médico e foi informada que nenhum novo exame fora solicitado. No hospital, encontrou familiares de dois pacientes também procurados por estelionatários. Entre eles, uma aposentada que caiu no golpe.
 Já em dezembro último, uma webdesigner de 35 anos, que prefere não se identificar, também foi enganada. No dia seguinte à cirurgia da sogra, de 70 anos, que retirou o útero por causa de um câncer, a mulher recebeu uma ligação no telefone do apartamento do Hospital São Carlos, onde a paciente estava internada. O suposto médico convenceu as vítimas a efetuarem dois depósitos, totalizando cerca de R$ 4 mil, que seriam usados para comprar medicamentos.
“Ele falava muito tecnicamente. Mostrou-se preocupado. Disse que minha sogra não precisava de quimioterapia, mas deveria tomar os remédios para evitar que a doença retornasse. Sabia o horário da cirurgia e o tipo de câncer. Não deu pra desconfiar”, diz. Os depósitos foram efetuados em contas do Mato Grosso. “Depois de descobrirmos o golpe, ele nos ligou, pedindo nosso endereço, para deixar um medicamento. Pedi que deixasse na recepção do hospital e ele nunca mais ligou”.
Uma designer, de 37 anos, também foi procurada, mas percebeu o esquema. No último mês de junho, o marido recebeu uma ligação dos golpistas que pediam depósitos para a compra de medicamentos para o pai dele, um aposentado de 90 anos, que se recuperava no Hospital e Maternidade Gastroclínica de uma pneumonia e infarto. “Ele pediu pra retornarem em alguns minutos. Quando eles ligaram, eu acabei atendendo. Disseram que o plano iria ressarcir depois, mas que precisavam do depósito. Eu disse que a ligação estava sendo gravada e eles passaram a me xingar e desligaram”.
FRASE

ELE FALAVA MUITO TECNICAMENTE. (...) DISSE QUE MINHA SOGRA DEVERIA TOMAR OS REMÉDIOS. SABIA O HORÁRIO DA CIRURGIA E O TIPO DE CÂNCER. NÃO DEU PRA DESCONFIAR
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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