Grupos e famílias dominam vários municípios cearenses há décadas.

Com o fim do prazo oficial, na sexta-feira, para a escolha dos candidatos às prefeituras e câmaras municipais cearenses, em outubro próximo, conclui-se, para tristeza dos defensores de renovação de quadros políticos, que está perdida a grande oportunidade de termos pessoas e ideias novas capazes de mudar a realidade inaceitável da administração pública. Dezenas de prefeituras, tal qual como antes, tendem a ficar sob o domínio dos mesmos, geralmente uma ou duas famílias ou grupos, como no caso de Maracanaú, Granja e Eusébio, os mais emblemáticos.
No Município de Granja, na Zona Norte do Estado, a família Arruda Coelho tem o domínio da Prefeitura há 32 anos, alternado entre dois irmãos: Eliezer e Esmerino Arruda, a mulher deste, dona Carmem Arruda, e o sobrinho deles, Romeu Aldigueri, divergente na família. E os Arruda continuarão, por mais quatro anos, administrando a cidade, pois dona Carmem, mesmo do alto de seus 90 anos de idade, é candidata concorrendo com o sobrinho afim, Aldigueri, postulante à reeleição.
Em Maracanaú, um dos maiores colégios eleitorais do Estado, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza, a realidade só difere da situação de Granja por estar sendo controlado por integrantes de dois grupos.
Júlio César Costa Lima foi prefeito ao longo de 12 anos. Perdeu o poder para Roberto Pessoa, que, com Firmo Camurça, como seu vice ou como prefeito atual, já controlam a administração municipal há 12 anos. E um dos dois esquemas vai continuar gerindo os destinos políticos de Maracanaú.
OXIGENAREM
Júlio César Costa Lima Filho é candidato a prefeito e concorre com Firmo Camurça. Roberto Pessoa, de quem Camurça é liderado, é candidato a vice do atual prefeito, possivelmente já pensando no pleito de 2020. Situação quase idêntica se registra no Eusébio. Lá, Edson Sá foi prefeito por 12 anos, tendo em parte dele a mulher de Acilon Gonçalves como vice-prefeita.
Depois que se desentenderam, Acilon ganhou a Prefeitura e a domina ao longo dos últimos 12 anos, oito dos quais como prefeito. Ele elegeu o sucessor e agora é candidato novamente a prefeito. Edson Sá se mudou para Aquiraz, onde foi prefeito e agora quer voltar para fazer um segundo Governo.
Vários outros exemplos de que tudo continuará como dantes poderiam ser registrados, mas fiquemos apenas nestes, exemplificadores da pobreza de filiados capazes de oxigenarem essa importante e significativa parte de sustentação da democracia.
Os dirigentes e líderes partidários, mesmo com as manifestações de repulsa de expressivo segmento social com o comportamento ético de muitos dos políticos nacionais e o desprezo dos gestores e legisladores com as causas mais caras à nossa gente, não atentaram para a necessidade de sair da mesmice, selecionando suas filiações, estabelecendo programas e metas para os governos que se propõem comandar, aliando-se a outros grêmios quando os candidatos deles forem realmente melhores, não na perspectiva puramente eleitoreira, mas, capazes de poder fazer mais e melhor para o desenvolvimento da sua terra.
A quase totalidade das coligações efetivadas para as disputas municipais deste ano, inclusive em Fortaleza, foi formada pela conveniência pessoal dos que mandam nos partidos. Inconcebível, mesmo se respeitando o direito de escolha de qualquer um. Tão despreparados estão os partidos, e tamanho é o interesse pessoal de alguns políticos, que alianças chegaram a ser formadas no penúltimo dia das convenções partidárias.
Por esdrúxulas, essas coligações acabaram gerando postulações de prefeitos e ex-prefeitos de duvidoso trato com a coisa pública, tanto que alguns chegaram, inclusive, a sofrer consequências judiciais motivadoras a um autoafastamento, como age todo aquele que guarda respeito a si próprio. O apoiamento a esse tipo de candidato bem que poderia ser repensado para evitar constrangimentos outros aos eleitores.
PESQUISAS
O governador Camilo Santana aceitou a sugestão do seu antecessor, Cid Gomes, e não foi à convenção que oficializou o nome do prefeito Roberto Cláudio como candidato à reeleição. O entendimento de Cid é que Camilo deve ser comedido em suas ações na defesa da candidatura do prefeito para evitar explorações de vitimização da ex-prefeita Luizianne Lins, do mesmo partido de Camilo.
Alguns integrantes do núcleo político do Governo já chegam a admitir, com bases em informações privilegiadas de pesquisas internas sobre a performance dos candidatos, ter Luizianne chances reais de ir para o segundo turno da disputa.
Camilo amanheceu o dia seguinte à convenção ao lado de Roberto Cláudio, em explícito ato de campanha, disfarçado de ação administrativa, visitando a obra da Prefeitura de construção de um novo Hospital de traumas em Fortaleza, o IJF 2, quando deu entrevistas encerrando qualquer dúvida sobre sua participação na campanha do prefeito.
Ele deixa transparecer, nas suas manifestações de apoio ao prefeito, que não apenas retribui o empenho daquele na defesa de sua eleição em 2014, mas, também paga, com a mesma moeda o que recebeu dos petistas aliados de Luizianne, na sua eleição para o Governo do Estado.
O ex-presidente Lula, como o Diário do Nordeste registrou, nesta semana, compreende a posição de Camilo em relação à eleição de Fortaleza. No almoço da segunda-feira passada, a ele oferecido por Camilo, o próprio Lula reconheceu a desfeita, tanto da parte dele de não ter vindo ao Ceará, apoiá-lo como candidato a governador, quanto da reação de parte dos petistas locais.
E foi o próprio Lula quem iniciou a conversa sobre a disputa pela Prefeitura desta Capital, ao tratar da sua participação na convenção que homologou o nome de Luizianne como candidata, no primeiro dia deste mês. Lula não esteve aqui na primeira campanha de Luizianne por apoiar Inácio Arruda (PCdoB).
VICE
O deputado Moroni Torgan surpreendeu ao aceitar ser vice de Roberto Cláudio. Antes, ele descartava essa possibilidade, embora fosse o nome ideal para o prefeito, que também gostaria de ter como companheiro de chapa o presidente da Câmara Municipal, vereador Salmito Filho.

Moroni foi um dos dois grandes aliados que o prefeito conquistou no segundo turno das últimas eleições municipais. Moroni era candidato a prefeito e não foi para o segundo turno. Alexandre Pereira, o outro amigo, também disputou a eleição passada como candidato a vice do deputado Heitor Férrer.
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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