Justiça do CE nega soltura a acusado de matar mulher e filha em Paracuru.

A Justiça do Ceará negou, nesta quarta-feira (17), medida cautelar não prisional em favor de  Marcelo Barberena, acusado de matar a mulher e a filha enquanto dormiam na cidade de Paracuru, no litoral oeste do estado. À Justiça, a defesa de Marcelo, representada pelo advogado Nestor Santiago, pediu que Marcelo fosse solto e passasse a ser monitorado com tornozeleira eletrônica até o julgamento, que ainda não tem data para ocorrer. A decisão foi do juiz Flávio Barbosa Soares, da Vara Única de Paracuru.
Na decisão, proferida nessa terça-feira (16), o juiz explicou que o caso demonstra a periculosidade concreta do réu, sendo necessária “a manutenção da sua segregação cautelar em face dos requisitos autorizadores previstos no artigo 312 do CPP, em especial a garantia da ordem pública”.
Na mesma decisão, também foi indeferido pedido formulado pela defesa para que fosse decretado segredo de justiça em relação aos autos. O juiz destacou que o princípio constitucional da publicidade só pode ser afastado em casos excepcionais que exijam o interesse público, o que não ocorre.
"Caso contrário, se o segredo de justiça for decretado pelo simples fato de o caso ser de grande repercussão, a exceção viraria a regra, vulnerando por completo o princípio da ampla publicidade”, explica.
DEPOIMENTO
No dia três de agosto, durante o primeiro depoimento do réu prestado à Justiça, ele negou a autoria dos crimes. Marcelo Barberena já havia sido ouvido seis vezes pela Polícia Civil e, apenas na primeira vez, negou que tivesse matado a mulher a a filha. Marcelo Barberena foi denunciado por duplo homicídio triplamente qualificado.
A primeira confissão do crime ocorreu no dia 24 de agosto de 2015, à delegada Socorro Portela, da Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), na própria residência onde ocorreu o duplo homicídio, para onde ele foi conduzido para um procedimento de perícia da Polícia Civil. "Ele chorou e disse que estava arrependido. Falou que teve uma discussão banal com a mulher antes de dormir e que atirou nela depois que se deitou. Ele disse que não lembra o motivo da briga", afirmou a delegada.
'Ator profissional', diz pai de Adriana
O pai de Adriana, Paulo Pessoa, acompanhou contou que Marcelo insistiu que quem cometeu o crime veio de fora da casa. "Eu aguentei o tempo todo, mas foi difícil, depois de tanta mentira. Ele é um ator profissional, é ator de teatro. É incrível como um indivíduo desses arranja uma história e conta todos os detalhes. Achei bom a minha esposa não estar presente porque talvez não aguentasse na hora", afirmou, em entrevista à TV Verdes Mares.
O CRIME
Adriana Moura Pessoa Carvalho Moraes, de 39 anos, e de sua filha, Jade Pessoa Carvalho, de oito meses, foram assassinadas pelo marido e pai da criança, Marcelo Barberena, que está preso. O crime, ocorrido em agosto de 2015, no município de Paracuru, chamou atenção pela crueldade.
De acordo com a Polícia MIlitar, o assassinato ocorreu por volta 2h da manhã. A mulher e a filha dormiam em um quarto da casa que fica no Bairro Campo de Aviação, quando foram assassinadas. A mãe foi atingida na cabeça, e a bebê foi baleada nas costas.
A PM informou também que os tiros foram ouvidos de madrugada pelos vizinhos, mas a primeira ligação relatando a ocorrência foi feita por volta de 6h da manhã pelo cunhado da vítima. Na ligação, ele disse que a casa teria sido arrombada e que os parentes foram assassinados por assaltantes.
Investigações da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluíram que o homem matou a mulher e, para simular que havia ocorrido um assalto, atirou também na filha. Marcelo Barberena foi preso horas após o crime, e indiciado na Justiça por duplo homicídio triplamente qualificado: além de feminicídio, motivo fútil e sem chance de defesa às vítimas.
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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