Polícia aponta quais os principais golpes aplicados nos cearenses.

Quando o mototaxista Silva (nome fictício), 47, foi assaltado em 2009, no bairro Pirambu, em Fortaleza, durante o trabalho, pensou que a maior "dor de cabeça" que teria seria registrar o Boletim de Ocorrência (B.O.) e recuperar os documentos roubados. Entretanto, sete anos depois, ele continua sofrendo, com golpes recorrentes efetuados em seu nome.
Silva já havia esquecido o assalto. Em 2012, ele foi lembrado ao ser pego de surpresa com a parcela de um financiamento que começou a ser cobrado em conta corrente no banco. A transação de R$ 57 mil foi realizada em uma agência em São Paulo, conforme o mototaxista descobriu com o banco à época. Temendo ter outro débito atrelado ao seu nome, o mototaxista procurou a Centralização de Serviços dos Bancos (Serasa), que informou também haver uma compra no valor de R$ 200 no Rio de Janeiro. "Eu nunca andei nesses dois estados. Nunca saí do Ceará. Como pode?", questionou. Ainda naquele ano, outra compra foi realizada com seus dados pessoais no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Ele então entrou na Justiça para anular as cobranças indevidas e pedir indenização das empresas por danos morais. No ano seguinte, o homem recebeu um total de R$ 5,5 mil com as ações judiciais.
Silva pensava que a "dor de cabeça", enfim, tinha acabado. Mas em agosto deste ano, o mototaxista foi ao Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE) para efetuar um pagamento. Ao chegar ao órgão, ele foi cobrado também pelo IPVA, de um veículo Ford Fiesta, comprado em seu nome há quatro anos, em São Paulo, e que estava com o imposto acumulado em R$ 3 mil. No Serasa não constava a dívida pela compra do veículo. "É um constrangimento muito grande que eu sempre tenho. Espero que um dia isso acabe", afirmou, indignado.
Silva é apenas uma das vítimas de golpes que ocorrem diariamente em Fortaleza. Ter posse de poucos dados de uma pessoa é suficiente para os estelionatários agirem. Aproveitando-se da fragilidade da vítima, seduzindo-a ou simplesmente se utilizando dos dados, os golpes ganharam formas infinitas e criativas.
A Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), registra uma média de dez ocorrências de estelionato por dia. O titular da Especializada, delegado Jaime Paula Pessoa Linhares, listou os golpes, entre antigos e novos, que têm exigido mais da Polícia Civil do Ceará ultimamente.
AÇÕES
O crime de estelionato está previsto no artigo 171 do Código Penal (Lei nº 2848/40) e prevê prisão com pena de um a cinco anos para quem "obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento".
A maioria dos golpes são semelhantes aos aplicados em Silva: o golpista tem acesso aos dados pessoais de uma pessoa, que geralmente ele não conhece, e se passa por esta para realizar alguma transação bancária, contratar um serviço ou comprar um produto. O mais famoso com essa característica é conhecido como "golpe do empréstimo consignado". Mesmo sendo de conhecimento da população em geral, essa prática criminosa continua acumulando Boletins de Ocorrência quase todos os dias na Capital cearense e não encontra resistência por parte das ferramentas das instituições financeiras, de acordo com a Polícia Civil.

Fonte: Diário do Nordeste
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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