Em depoimento, a mulher do marqueteiro João Santana citou Palocci, falou em financiamentos milionários e admitiu que mentiu para preservar a então presidente Dilma Rousseff, há um ano: 'era outro momento, era outra história'.

O marqueteiro João Santa e a mulher e sócia, Mônica Moura, confirmaram ao juiz Sérgio Moro que receberam R$ 33 milhões via caixa dois por campanhas eleitorais do PT. Eles disseram que parte dos pagamentos foi feita pela Odebrecht e intermediada pelo ex-ministro Antônio Palocci.

Mônica Moura afirmou que negociou com o ex-ministro os valores não contabilizados a serem pagos na reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, e na eleição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2010: “depois que Palocci acertava comigo o valor da campanha, ele dizia, então vai ser X por dentro, isso aqui você acerta com o tesoureiro, e essa parte por fora. O partido vai pagar tanto, aí me dizia quem é que eu ia procurar do partido, quem era a pessoa dele que ia me pagar, e a Odebrecht vai colaborar, isso desde 2006, vai colaborar com tanto. Vá lá e acerte com eles como é que você quer. A partir daí, ele só aparecia quando atrasava. E sempre atrasava muito”.

Os marqueteiros contaram que os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo - entregues em bolsas e mochilas - ou depositados em contas no exterior. O casal confessou que, somente em 2008, foram R$ 18 milhões recebidos por fora pelas campanhas de Marta Suplicy, à prefeitura de São Paulo, e Gleisi Hoffmann, à prefeitura de Curitiba.

Em 2011, a Odebrecht quitou uma dívida de R$ 10 milhões que faltavam pela campanha de 2010 da ex-presidente Dilma.
A empresária Mônica Moura confessou que, quando foi presa, mentiu sobre o recebimento de caixa dois para preservar a ex-presidente Dilma Rousseff: “nessa época, há um ano e pouco atrás, quando a gente foi preso, a gente queria preservar a presidente Dilma, que já tava num momento complicado, o país tava num momento complicado, e a gente não queria dizer que tinha recebido dinheiro de campanha dela, especificamente no caso a de 2010, a gente não queria falar que esses recebimentos tinham a ver com ela. Portanto a gente falou que foi tudo no exterior, mas, enfim, era outro momento, era outra história”, afirmou Mônica.

Sem citar os nomes de outros partidos, Mônica Moura disse que todo marqueteiro recebe via caixa dois pelas campanhas eleitorais no Brasil: “não acredito que exista um marqueteiro que trabalhe no Brasil fazendo campanha só com caixa um, e era uma exigência do partido”, disse Mônica Moura.

No final do depoimento, o marqueteiro João Santana explicou por que aceitava conviver com pagamentos ilegais nas campanhas: “nossas contradições constroem as nossas armadilhas. E o nosso cérebro ajuda a amenizar essas contradições. Eu, mesmo sendo uma pessoa organicamente a favor das coisas bem feitas, legais e honestas, criei um duplo escudo em minha cabeça, social e externo, que era doutrina de senso comum do caixa dois, que não se faz campanha, e outra, que eu recebo pelo trabalho honesto que estou fazendo. Dentro disso, eu construí esse equívoco para mim mesmo sem perceber que ao fazer isso eu estava sendo cúmplice de um sistema eleitoral corrupto e negativo. Não estou dizendo que eu não tinha culpa. Eu fui agente disso”, finalizou João Santana.
Fonte: cbn.globoradio.globo.com
Rogilson Brandão

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