Minas Gerais vê seus principais líderes políticos enfraquecidos após denúncias de corrupção

As delações de empresários e envolvidos em operações da Polícia Federal deixaram um vácuo de poder e atingiram o capital político de duas das principais lideranças de Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. Encurralados por suspeitas de corrupção, o governador Fernando Pimentel, do PT, e o senador afastado Aécio Neves, do PSDB, terão dificuldades se tentarem a reeleição no ano que vem, na avaliação de políticos e especialistas. Ancorado por governos bem avaliados em Minas e mais de 51 milhões de votos na eleição presidencial de 2014, Aécio viu seu capital político ser minado pela divulgação da conversa com o empresário Joesley Bastista, em que o tucano pede R$ 2 milhões para bancar advogados. O presidente do PSDB de Minas, o deputado federal Domingos Sávio, deixa claro que o partido precisa de mudanças.

"O PSDB ao longo da sua história talvez até por uma lealdade absoluta passou a ter uma certa omissão, e todos aguardarem e dizer vamos ver o que Aécio vai dizer, ou A ou B vai dizer. Essa política acabou. Nós precisamos ouvir o que o conjunto da sociedade vai dizer. E eu acredito que o PSDB tem agora, até no sofrimento, até na dificuldade, uma oportunidade de se reinventar".

Mesmo com o poder do Palácio da Liberdade, o governador petista Fernando Pimentel tenta recuperar o seu prestígio depois de ser bombardeado pelas delações da Odebrecht e do grupo JBS. Ele também é alvo de duas denúncias na Operação Acrônimo, que podem resultar no afastamento dele do cargo.
Ainda assim, Pimentel é a grande aposta do PT de Minas para a reeleição em 2018.  A presidente da legenda, Cida de Jesus, minimiza as suspeitas de corrupção. 

"Eu não acredito em nenhum impedimento do nosso governador, porque eu sei que a Justiça é clara, e a Justiça não vai impedir o nosso governador, nesse avanço de um projeto para Minas Gerais. Nós trabalhamos com uma hipótese de continuidade e pra isso avançar mais e mais naquilo que Minas Gerais merece". 

Para o cientista político Rudá Ricci , a atual sensação de vazio da política mineira ocorre devido ao fato de o estado ser, historicamente, dependente de chefes, que se impõem como vozes dominantes dentro dos partidos. 

"Pela primeira vez há um nítido vazio político em Minas Gerais. E parece que o grande problema, foi que com a crise política os chefes acabaram também se desfazendo surpreendentemente, e nós estamos então nessa orfandade por um erro de todas as lideranças políticas de Minas, que não construíram nomes para a sua sucessão".


Enquanto isso, PMDB e PSB tentam aproveitar esse vácuo político, para lançar novas lideranças. Os peemedebistas apostam em duas frentes: o atual vice-governador Antônio Andrade, que indica rompimento com Pimentel para o próximo pleito e Adalclever Lopes, presidente da Assembleia Legislativa, que tem sido aliado do petista no legislativo. O PSB aposta todas as fichas no ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda. Ele inclusive já foi apoiado por Aécio e Pimentel, quando concorreu pela primeira vez à prefeitura da capital mineira. Lacerda tem feito viagens ao interior de Minas Gerais e participado de reuniões com prefeitos para tentar apoio a uma candidatura no próximo ano.

Fonte: cbn.globoradio.globo.com
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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