Próximo trimestre será de chuva abaixo da média para o Ceará, afirmam institutos de pesquisa.

As chuvas do trimestre – fevereiro, março e abril – ficaram abaixo da média (530.0 mm) no Ceará, registrando um volume acumulado de 476.1 mm. Embora este cenário seja melhor que o registrado em anos anteriores, a situação não é de conforto. Pelo contrário, alerta o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações em relatório publicado na semana passada. Esta quantidade não repôs o volume dos açudes e o prognóstico para maio, junho e julho é que as precipitações fiquem 45% abaixo da média no Estado, que para este período é de 143,5 mm.
O Grupo de Trabalho é composto por especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esta previsão climatológica é para o Norte da Região Nordeste - que engloba o Ceará, sertão do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e extremo norte da Bahia. A probabilidade das chuvas ocorrerem acima da média é de 20% e na média 35%.

AGRAVAMENTO
O coordenador-geral de Operações e Modelagens do Cemaden, Marcelo Seluchi, informa que estas instituições se reúnem mensalmente para avaliar a situação e projetar cenários. No último encontro, ocorrido no dia 27 de abril, em que o Nordeste foi o foco do debate, o alerta quanto ao agravamento da seca nesta região foi registrado em um relatório. “Sabemos que no norte do Nordeste o auge das chuvas ocorre em fevereiro, março e abril. Em maio talvez seja o último mês que pode chover alguma coisa”, reforça.
O documento, explica Seluchi, traz ainda preocupação quanto à condição de abastecimento dos reservatórios, que mostram-se “extremamente críticos”. Pesquisadores deste Grupo de Trabalho analisaram a situação específica dos açudes Castanhão e Epitácio Pessoa/Boqueirão (Paraíba). No Ceará, a projeção é que, considerada a atual demanda em conjunto com a ocorrência de chuva abaixo da média, o Castanhão iniciará 2018 com nível abaixo de 5%.
Este volume provocaria um cenário pior do que o vivenciado no início deste ano, quando o maior reservatório do Estado, segundo o monitoramento da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), tinha 6,6% da sua capacidade total que é de 6,7 bilhões de m³. Em janeiro de 2016, este índice era de 12,8%. Atualmente o volume do açude, que é a principal fonte de abastecimento de Fortaleza e da Região Metropolitana, está com o equivalente a 6,06% de sua capacidade total.
“Os reservatórios não recarregaram como deveriam e, em função do que já choveu e do que esperamos, o início da próxima estação chuvosa vai nos encontrar em uma condição pior. O sistema naturalmente vai perder mais água”, reforça.
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) não divulgou prognóstico de chuvas para além do mês de maio, mas segundo ressaltou o meteorologista do órgão, Raul Fritz, os modelos climáticos para o período geralmente apontam chuvas abaixo da média na região leste e sul do Nordeste. “Esses resultados indicam um resto de chuva para o Norte do Ceará em maio, mas nada significativo”, diz.

ONDAS DE LESTE
De junho até início de julho, conforme explica, pode chover no leste do Nordeste pela influência do sistema chamado ondas de leste, que deve atingir estados como o Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e eventualmente o Ceará. “Boa parte desses modelos estão indicando déficit de chuva para a região Leste do Nordeste. Se isso se confirmar é possível que esses sistemas atinjam também o Ceará com menos frequência”, diz.
A reportagem tentou contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará para verificar se existem medidas sendo articuladas para o cenário do Castanhão, mas até o fechamento desta matéria as ligações não foram atendidas.

Fonte: Diário do Nordeste
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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