Cresce 219% a incidência de chikungunya no Ceará

Sábado dia 03.06.2017
O Ceará está na contramão da redução nacional de incidência da febre chikungunya. Enquanto o Brasil conseguiu reduzir em 54,7% a incidência da doença no período entre 1° de janeiro e 13 de maio deste ano, comparado ao mesmo período de 2016, o Estado aumentou em 219% suas estatísticas.
No último boletim epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde, o Ceará é também o único do Nordeste e o primeiro entre sete outros estados do País que, em um ano, viram aumentar a quantidade de casos prováveis da patologia. Mesmo assim, o Ministério considera que, pelo menos “neste momento, não há um alerta especial” sobre a região.
A situação se agrava, contudo, quando o documento aponta que, das cidades brasileiras com maiores incidências de chikungunya, de acordo com o nível populacional de cada um deles, sete são cearenses: General Sampaio, Reriutaba e Acarape, entre as cidades com menos de cem mil habitantes; Maranguape, Iguatu e Caucaia, que têm entre cem mil e 499 mil habitantes; e Fortaleza, cuja população é acima de um milhão.
Para a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a alta incidência na Capital pode ser justificada, entre outros fatores, pela transmissibilidade. “A ‘taxa de ataque’ é diferente da dengue. Se olhar os relatos de dengue, numa casa com dez pessoas, duas têm (a doença). Numa casa com chikungunya, às vezes toda a família pega”, explicou Atualpa Soares, assessor técnico de Vigilância Ambiental e Riscos Biológicos da SMS.
Em nota, o Ministério da Saúde afirma que, “do ponto de vista epidemiológico, o aumento dos casos de chikungunya era previsto, uma vez que é uma doença recente (identificada pela primeira vez no Brasil em 2014) e encontra até hoje um grande número de pessoas suscetíveis”. Além disso, o assessor técnico da SMS compreende que “o Aedes (aegypti) com o vírus da chikungunya tem se mostrado mais eficiente do que com o da dengue”.
Além da alta transmissibilidade da doença e da vulnerabilidade da população, colaboram para que a chikungunya cresça no Ceará a região ser ambiente ideal para a proliferação do Aedes aegypti e 80% dos focos do mosquito, pelo menos em Fortaleza, serem intradomiciliares.
Segundo Atualpa, ações de combate ao Aedes e de educação ambiental ainda representam pouco no enfrentamento à epidemia. “O mosquito consegue se proliferar de forma muito eficiente e uma parte da população não faz seu dever de casa como deve fazer”. O técnico adiantou que, com o fim da quadra chuvosa, algumas unidades de saúde que já notificaram muitos casos de chikungunya “têm relatado diminuição da transmissão”.
De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), 130 municípios receberam cartas de alerta sobre risco de epidemia em relação às arboviroses. Destes, 86 (66,1%) encaminharam plano emergencial para combate ao mosquito.

Fonte: O POVO Online
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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