O pouco provável “pacote de bondades” de Temer.

Segunda – feira dia 19.06.2017
Alguém falou que Michel Temer lançaria um “pacote de bondades” para ganhar popularidade e se manter no cargo. Muitos, influenciados pelo achado, passaram a repetir a hipótese. A conclusão é óbvia: o “pacote” afetará negativamente as expectativas, provocará uma depreciação cambial, pressionará a inflação e abortará o ciclo de baixa da taxa Selic pelo Banco Central. Haverá fuga de capitais. O Brasil entrará novamente em recessão.
Esse cenário padece de um defeito fundamental: desconhecer as condições particulares nas quais atua a equipe econômica em situações como a atual. Temer e seu círculo íntimo podem até imaginar medidas populistas, mas dificilmente dobrarão a equipe econômica, cuja resistência a tais medidas tende a ser crescente e eficaz.
A experiência do último ano do governo Sarney é um bom precedente para analisar o risco do “pacote”. Na época, à medida que o capital político do presidente diminuía, a equipe econômica era vista como âncora. Boatos de demissão do ministro da Fazenda alteravam o humor dos mercados. Empresários, a grande maioria da imprensa e líderes de outros segmentos declaravam seu apoio à equipe e à sua permanência.
Em determinados momentos, a equipe pode ceder no que não seja fundamental para preservar sua capacidade de agir sobre as expectativas e manter a situação sob controle. No final do governo Sarney, essa capacidade incluía o manejo da taxa Selic pelo Banco Central, o controle dos gastos e a prestação de informações à imprensa, o que permitiu preservar o ambiente para a realização das eleições presidenciais de 1989.
Fonte: veja.com


Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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