"Se tiver uma decisão que não seja a minha inocência, não vale a pena ser honesto", diz Lula sobre o tríplex.

Terça – feira dia 27.06.2017
Prestes a ser condenado ou absolvido pelo juiz federal Sérgio Moro no caso do triplex no Guarujá (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (27) em entrevista à rádio Itatiaia, de Minas Gerais, que "se tiver uma decisão que não seja a minha inocência, quero dizer que não vale a pena ser honesto nesse País".
O petista afirmou que fez de tudo para provar a inocência e disparou contra os procuradores da República, que o interrogaram em Curitiba (PR), na presença de Moro, em meados de maio: "Eu fui em uma audiência, os procuradores estavam lá, eles tiveram a chance de acusar e mostrar alguma prova. Não mostraram absolutamente nada".
— Sinceramente, se tiver uma decisão que não seja a minha inocência, quero dizer que não vale a pena ser honesto nesse país e quero dizer que não vale a pena você ser inocente. Porque ser inocente é não dar aos acusadores o direito de prova e eles ficam nervosos e vão te acusar mesmo que não tenham provas.
O ex-presidente voltou a confrontar a versão do Ministério Público Federal, que afirma que o apartamento triplex pertence à família de Lula e foi fruto de propina de empreiteiras que mantiveram contratos fraudulentos com a Petrobras.
— Desafio o Ministério Público a provar que o apartamento é meu, que tem um documento, que tem um centavo, que tem um real, que tem um documento assinado, que tenha alguma coisa no cartório... eu continuo desafiando o Ministério Público a apresentar uma prova, porque não é possível que eu tenha um apartamento que não é meu. [...] Quero saber depois da decisão o que vai acontecer.
O petista aproveitou para comentar a decisão de ontem do juiz Sérgio Moro, de condenar o ex-ministro Antônio Palocci a mais de 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Para Lula, as delações premiadas não podem ser usadas como prova exclusivamente.
— A delação não pode ser avacalhada. A delação é um instrumento sério, que fomos nós que aprovamos. [...] O Palocci foi condenado ontem. Não tem nenhuma prova a não ser a delação. Então, fica palavra contra palavra e a pessoa não pode ser condenada por isso. As delações precisam ser transformadas em coisas concretas.

Denúncia contra Temer

Lula defendeu também que o presidente Michel Temer (PMDB), denunciado na segunda-feira (26) pela PGR (Procuradoria Geral da República) por corrupção passiva renuncie e peça a antecipação de eleições presidenciais diretas imediatamente. Para o petista, Temer deve ou não tomar essa decisão a "depender da pressão" da sociedade.
— O ideal seria um processo mais tranquilo e que o próprio Temer pudesse pedir a antecipação das eleições e a gente poderia escolher, antes de outubro de 2018, um novo presidente da República, um novo Congresso Nacional. Eu defendo as diretas imediatamente.
Réu em cinco ações penais por corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça, Lula afirmou que é preciso investigar o que há contra o presidente para "saber se são verídicas as denúncias".
— O Temer pode cair, mas um processo qualquer que aconteça contra um presidente ou contra qualquer ser humano precisa ser investigado. Se tiver provas concretas, efetivamente o Temer não tem como continuar.
Lula disse, ainda, que não se arrepende de ter feito aliança com o PMDB enquanto estava na Presidência.
— No momento, era extremamente necessário e eu não tinha bola de cristal para saber que o Temer ia dar golpe na Dilma e ajudar a fazer o impeachment.

Fonte: noticias.r7.com/brasil
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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