Temer convoca reunião ministerial antes de viajar.

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer convocou para esta segunda-feira uma reunião ministerial no Palácio do Planalto. O encontro acontece um dia antes de Temer embarcar para a China, onde participará da reunião da cúpula dos Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O presidente só retorna ao Brasil no dia 6 de setembro.

A última reunião convocada por Temer com os ministros ocorreu em julho, em meio às articulações para superar a denúncia por corrupção passiva que enfrentou no plenário da Câmara. Na ocasião, o presidente pediu aos ministros que trabalhassem em suas bancadas para conseguir votos para sepultar a denúncia e disse ter certeza de que não seria condenado, ainda que o plenário autorizasse a investigação e ele fosse temporariamente afastado do cargo.

Segundo ministros e assessores, Temer fará um balanço das medidas mais recentes tomadas pelo governo, em especial os anúncios de privatizações, como a Eletrobras e os anúncios de concessões de aeroportos. O presidente também quer "virar a página" do desgaste vivido por conta da denúncia e pedirá aos ministros que apontem obras e projetos que podem ser tocados e finalizados até 2018. As principais ações farão parte do novo calendário de ações prioritárias do governo. A ideia, segundo uma pessoa próxima a Temer, é "retomar o vigor" do governo.

Temer quer virar a página do desgaste gerado pela denúncia e vai estabelecer um calendário de ações que possam ser finalizadas até 2018. O presidente vai retomar o vigor da atuação do governo - explicou um interlocutor do presidente.

ENCONTRO PARA 'ALINHAR DISCURSO'
Na reunião desta segunda, o presidente também deve, segundo interlocutores, "alinhar o discurso" de defesa do governo e das pautas prioritárias de sua gestão, já que ficará fora do Brasil por uma semana, junto com pelo menos seis ministros.
- Será um pedido mais político de maior defesa do governo, porque o governo entra agora em uma fase decisiva de recuperação e aprovação de propostas importantes. Além disso, o componente eleição de 2018 começa a atravessar o caminho do governo e a oposição começa a se organizar - afirmou, de forma reservada, um ministro de Temer.
O presidente também tratará das pautas de interesse do governo no Congresso, como a necessidade de urgência na aprovação do projeto que altera as metas fiscais de 2017 e 2018. A proposta precisa ser aprovada nos próximos dias, porque o governo tem que enviar ao Congresso o Orçamento de 2018 até a próxima quinta-feira, 31 de agosto.

Outro projeto que é acompanhado com preocupação pelo Planalto é a Medida Provisória que cria a TLP, nova taxa de juros para empréstimos do BNDES. A matéria já passou pela Câmara, mas precisa ser votada no Senado até o dia 6 de setembro, ou perderá validade.
Temer também deve abordar no encontro a reforma da Previdência. Principal bandeira de seu governo, a reforma está parada no Parlamento e, segundo líderes da base, hoje tem poucas chances de ser aprovada nos moldes do que Temer e a equipe econômica queriam.

A comitiva para a China contará com a presença de seis ministros: Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Maurício Quintella Lessa (Transportes), Blairo Maggi (Agricultura), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Marcos Pereira (Indústria e Comércio Exterior) e Osmar Terra (Desenvolvimento Social). O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, ainda não está confirmado, segundo o Palácio do Planalto. Inicialmente cotado para ir, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) ficará em Brasília. Ele é responsável por pilotar a agenda econômica no Congresso e acompanhar de perto os prazos apertados para aprovar as propostas.
Fonte: oglobo.globo.com
Rogilson Brandão

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