PF faz buscas no Ministério do Turismo e pede prisão de pessoas ligadas ao ex-ministro Henrique Alves

BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Lavat, que faz buscas no ministério do Turismo em Brasília. A ação é um desdobramento do Operação Manus, que deflagrada em junho deste ano e que levou o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para a prisão. A Justiça de Natal determinou a prisão temporária de três pessoas ligadas a Henrique Alves. Há mandados de prisão temporária contra Aluísio Dutra de Almeida e Norton Domingues Masera, que foram assessores de Henrique Alves, além de José Geraldo Moura Júnior. Já os alvos de condução coercitiva são Domiciano Fernandes da Silva e Fernando Leitão de Moraes Júnior.

Dutra de Almeida, que também atuou como tesoureiro regional do PMDB em Natal, saiu do gabinete de Alves em 2013, quando foi revelado que parte das emendas orçamentárias do então líderdo PMDB na Câmara foram destinadas a uma empresa dele.

Já Masera apareceu como um dos responsáveis por transportar propina destinada a Henrique Alves segundo documentos cedidos pelo operador Lúcio Bolonha Funaro em seu acordo de delação. Masera ocupa o cargo de chefe da assessoria parlamentar no Ministério do Turismo desde quando Alves estava à frente da pasta.

Cerca de 110 policiais federais cumprem 27 mandados judiciais, sendo 22 de busca e apreensão, três de prisão temporária e dois de condução coercitiva nas cidades de Natal, Parnamirim, Nísia Floresta, São José do Mipibu, Angicos, todas no Rio Grande do Norte, e Brasília.

Segundo a PF, na análise do material apreendido "foram identificadas fortes evidências quanto à atuação de outras pessoas pertencentes a uma organização criminosa, que continuou praticando crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de valores para o chefe do grupo".

A PF identificou que o esquema criminoso que fraudava licitações em diversos municípios do Rio Grande do Norte para obter contratos públicos, que somados alcançam cerca de R$ 5,5 milhões.

O dinheiro foi usado para abastecer a campanha de Henrique Alves ao governo do Estado de 2014. Ele disputou o pleito com o atual governador Robinson Faria e perdeu.

O nome da operação é referência ao provérbio latino “Manus Manum Fricat, Et Manus Manus Lavat”, cujo significado é: uma mão esfrega a outra; uma mão lava a outra.

DESDOBRAMENTO DA LAVA-JATO

A Operação Manus é um desdobramento da Lava-Jato, com base nas delações premiadas de executivos da Odebrecht. A investigação que levou à prisão o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, em junho, mirou atos de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro, envolvendo a construção da Arena das Dunas, em Natal. O sobrepreço nas obras do estádio chega a R$ 77 milhões.

O mandado de prisão contra Alves foi expedido pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte. Ele foi ministro do Turismo nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer, e pediu demissão em junho de 2016 após ser citado em delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras.

Em 2014, Alves concorreu ao governo do Rio Grande do Norte, mas foi derrotado no segundo turno. Ele é mais um aliado do presidente Michel Temer a ser preso.

Na Operação Catilinárias, em 2015, a casa de Alves também foi alvo de mandado de busca a apreensão. Os investigadores apuravam crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro no favorecimento de duas empreiteiras responsáveis por construir a Arena das Dunas, em Natal.
Fonte: O Globo
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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