Produção de castanha no Ceará cai 76,27% em dez anos, fecha empresas e causa desemprego.

A produção de castanha de caju no Ceará vem caindo ano a ano e o setor, que enfrentava já muitas dificuldades, como falta de investimento e isolamento tecnológico, viu a situação se agravar ainda mais com o longo período de seca no Estado. Em 2006, a produção de castanha era de 130.544 toneladas e caiu, em 2016 – os dados de 2017 ainda estão sendo computados – para 30.968 toneladas, o que representa queda de 76,27 por cento. Também no mesmo período, a produção por hectare tem declinou: de 351 kg/ha para 82 kg/ha, involução de 77,03 por cento. A queda na produção afetou diretamente a comercialização da castanha.

As exportações, que em 2006 somaram US$136.161 mil caíram para US$ 91.730 mil em 2017, queda de 32,63 por cento. Enquanto o setor registra queda na produção e na exportação de castanha de caju, as importações cresceram – oriundas de países da África. Somente para exemplificar, em 2016 – de acordo com dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – a importação de castanha somou US$ 10.019 mil e em 2017 saltaram para US$ 28.371 mil, ou seja, crescimento de 183,17 por cento.

O secretário da Associação dos Cajucultores do Estado do Ceará (Ascaju), afirma que o Ceará já foi o maior exportador de castanha do mundo e detentor do maior parque industrial de produção de amêndoas. O Estado possui mais de 30 grandes indústrias e hoje apenas quatro estão em funcionamento. “Passamos de exportadores para importadores de castanha do continente africano. Não importamos mais pela falta de castanha no mercado mundial. Acredito que seja uma vergonha para o Brasil” – observa, acrescentando que a importação teve início antes mesmo do agravamento da produção pela longa estiagem e que os municípios litorâneos do Ceará, como Icapui, Cascavel, Beberibe e muitos outros, são os mais prejudicados.

Ele enumera várias causas que levaram o setor ao declínio, como, por exemplo, políticas públicas erradas e contínuas que não responderam aos investimentos realizados ao longo de anos; pulverização desses investimentos em vários órgãos sem orientação central; isolamento tecnológico da cultura do cajueiro, salvo raríssimas exceções, e o baixo aproveitamento do pedúnculo, que representa 90 por cento da produção do cajueiro. O setor gerava, no mínimo, 130 mil empregos, fixando o homem no campo e gerando renda. Para finalizar, ele afirma: “O Cajueiro é brasileiro e nós temos que reconquistar a liderança do setor no mundo. Temos terras, tecnologias, recursos humanos e financeiros, faltando só a vontade, sobretudo política”.
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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