Presidente do TSE cobra investigação de sites que espalham ‘fake news’

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Fux, pediu que se investigue as chamadas fake news – as chamadas notícias falsas – para evitar que os manipulação nas redes influenciem nos resultados das eleições deste ano. O pedido de Fux, que ainda não foi oficializado, dirigiu-se ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF), que fazem parte do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições do TSE.

Fux disse que uma parte dos trabalhos será investigar os sites identificados em estudo da Universidade de São Paulo (USP) – Ceticismo Político, JornaLivre, Implicante e Correio do Poder, entre outros -, portais de notícias falsas mais compartilhados. Ainda conforme a pesquisa, os dois primeiros podem ter a página do Movimento Brasil Livre (MBL) como seu provável principal canal de distribuição. Mas o MBL não está na lista de possíveis investigados, segundo a assessoria do TSE.

Na sexta-feira, uma reportagem do Jornal O Globo revelou que uma publicação do Ceticismo Político foi a principal responsável por impulsionar a onda de acusações falsas contra Marielle. A mensagem foi compartilhada mais de 360 mil vezes no Facebook e foi replicada – e depois apagada – pelo Movimento Brasil Livre, ampliando ainda mais o alcance das falsas acusações.

“Vamos instaurar um procedimento que será remetido ao Ministério Público que então vai solicitar o auxílio da PF para verificarmos que tipo de matérias essas organizações e grupos têm à sua disposição”, disse Fux na noite dessa terça no TSE.

As apurações podem ainda incluir a convocação do representante no Brasil da consultoria britânica Cambridge Analytica, acusada de acessar de forma inapropriada informações de usuários do Facebook para construir perfis de eleitores que ajudaram a eleger Donaldo Trump presidente dos Estados Unidos em 2016.

“Recebemos também notícias de que há representante da Cambridge Analytica, então vamos querer saber basicamente duas coisas: o que eles estão vendendo e para quem. Mas é um convite, não é uma intimação”, disse Fux.
O escândalo colocou a empresa de Mark Zuckerberg em descrédito. O Reino Unido investiga se o Facebook foi negligente na proteção dos dados dos usuários da rede social. No último domingo, a empresa publicou anúncios em jornais de grande circulação do mundo para se retratar. Falou em “quebra de confiança” e prometeu ações para evitar problemas semelhantes.

O ministro afirmou que quer evitar escândalos no Brasil como os que envolvem a eleição de Trump nos Estados Unidos. Fux explicou ainda que a investigação se dará no âmbito eleitoral, a pedido do TSE, ainda que tenha repercussão penal conforme as constatações.

A assessoria do tribunal informou que Ministério Público Eleitoral “irá oficiar FGV (membro efetivo do Conselho Deliberativo sobre Internet e Eleições do TSE) e a USP para que apresentem seus estudos. De posse desse material, o MPE mandará instaurar investigação conforme entenda ser necessário”.
Com informações do Jornal O Globo
Rogilson Brandão

Rogilson Brandão

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